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Saída da Caixa

"Assim como a flor de lótus, todos temos a habilidade de crescer a partir da lama, florescer na escuridão e irradiar a nossa beleza ao mundo"

"Assim como a flor de lótus, todos temos a habilidade de crescer a partir da lama, florescer na escuridão e irradiar a nossa beleza ao mundo"

22
Set21

Empatia por onde andas?

publicado por Tânia Teixeira

Desde miúda que sempre gostei de ajudar/apoiar os outros. Nascida no seio de uma família católica praticante, foi desde logo incutido em mim o lema "não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti". Para mim sempre foi, e ainda o é (arrisco-me mesmo a dizer, que o é cada vez mais), um lema muito fácil de seguir. Não o faço por medo de represálias divinas, faço-o porque sou sensível ao sofrimento dos outros, sofrimento esse que hoje ou amanhã pode ser meu também.

A empatia é para mim algo urgente e necessário, por pessoas melhores, para um mundo melhor. Saber pormo-nos no lugar do outro, sentir as suas dores e alegrias, dá-nos outras perspetivas. Arrisco-me a dizer que se praticássemos mais este "exercício", o julgamento seria certamente, algo que perderia a sua força.  Quando tentamos "andar com os sapatos do outro", ficamos com a noção do seu contexto e das suas dificuldades. 

O sofrimento dos outros causa em mim desassossego e penso que com a idade, esta sensibilidade se vem intensificando. Acho que a maternidade também trouxe ainda mais esta consciência. Pensar que o meu filho possa sofrer nas mãos de quem a empatia não abunda, é algo que me deixa o coração apertado. 

Senti várias vezes esta falta de empatia na pele (literalmente), e sei o quão mau e devastador pode ser. Sofri de graves problemas de pele, e posso garantir-vos que empatia foi coisa que pouco ou nada senti ao meu redor. Nos meus tenros 21 anos, passei por um tratamento, que me deixou a cara em modo "obras de Santa Engrácia". Andava na universidade, e se a minha auto-estima já não era grande coisa, depois destes longos 8 meses, caiu para -500. Desde pessoas (que não conhecia de lado nenhum) a ofereceram-me gratuitamente diagnósticos de rua, a pessoas que ficavam chocadas a olhar para mim, com aquele olhar de pena/nojo...ou dizerem que devia comer menos chocolates, bem foi um pouco de tudo. Foi talvez o ano da universidade em que me hidratei mais, não com álcool, mas com as lágrimas que me caíam do rosto. Sim...foram umas belas litradas de lágrimas derramadas.

A falta de empatia continuei a senti-la, que era para não estranhar. Hoje falo disto com leveza, e humor, mas na altura fiquei completamente devastada. Fugia dos espelhos a sete pés, simplesmente não me reconhecia na imagem que via refletida. Demorei muito tempo a mudar isso em mim. Talvez se a empatia tivesse feito parte da equação, as mazelas teriam sido certamente, um pouco menos pronunciadas.

Com esta minha partilha, quero efetivamente apelar a mais empatia, a menos julgamento e a mais amor. Está nas nossas mãos, evitar enormes devastações emocionais e psicológicas. Dar amor é gratuito e faz milagres.

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