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Saída da Caixa

"Assim como a flor de lótus, todos temos a habilidade de crescer a partir da lama, florescer na escuridão e irradiar a nossa beleza ao mundo"

"Assim como a flor de lótus, todos temos a habilidade de crescer a partir da lama, florescer na escuridão e irradiar a nossa beleza ao mundo"

21
Nov21

Uma questão de controlo....só que não!

publicado por Tânia Teixeira

A palavra "CONTROLO" é bem conhecida no dicionário de quem sofre de ansiedade. Diria até que parece quase uma necessidade básica. O controlo exerce como que um "pseudo efeito calmante", ou seja, se controlar o que me rodeia estarei preparado(a) para qualquer "perigo" que apareça.

Imagine-se o quão limitante é viver assim, o quão cansativo é, pois há todo um estado de alerta ativo constantemente, para que possamos estar preprados para qualquer eventualidade. 

Diria que isto não é viver mas sim sobreviver, não se usufrui do presente, por se ter impresso no inconsciente memórias do passado, e por se antever situações futuras, que na realidade, muitas nem sequer se chegam a concretizar. Não é mau antever situações, e precaver sofrimentos, mau é viver sob esse constante sobressalto. 

Convido-te a fazeres essa análise, tomares consciência se isto te acontece, e sem julgamentos, perceberes que há um caminho a ser feito. O querer controlar não é necessariamente mau, de certeza que todos nós, em alguma situação específica, sentimos essa necessidade, contudo, o controlo é algo que nem sempre está nas nossas mãos. Arrisco-me até a dizer, que a maioria das situações foge do nosso controlo. 

E sabes, às vezes ainda bem que assim o é...

Falo por mim, o controlo sempre foi uma grande necessidade, precisava de sentir o terreno seguro, saber com o que podia contar, achava que na realidade eu tinha esse poder ao meu alcance. Mas a vida, várias vezes me mostrou o contrário, e continua a mostrar. Tenho a certeza que a pandemia veio trazer ainda mais esta consciência a todos nós. 

Continuo a não gostar de perder o controlo das situações, bem e quem gostará na verdade?...O cerne da questão está em saber gerir e saber viver no estado de "descontrolo". Não tem que ser o fim do mundo, e quem sabe, se o caminho passaria mesmo pela tua antevisão, ou plano? Quem sabe a vida não tem planos melhores para ti?

É uma reflexão que tenho feito nestes dias, e tive vontade de a partilhar contigo. 

Que tenhamos sempre a coragem e a humildade, de sentir gratidão até nos momentos menos bons, naqueles em que o controlo se perde (se é que alguma vez nos pertenceu), e que saibamos acolher em nós as surpresas da vida, de mãos e coração aberto. 

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04
Set21

"Ansiedade...para que te quero?"

Texto escrito pela Dra. Margaret Almeida

publicado por Tânia Teixeira

Será que sabe reconhecer os sinais da ansiedade?

Sabia que ter uma perturbação de ansiedade e vivenciar um ataque de pânico não é a mesma coisa?

Muitos são os que chegam à minha consulta e só depois de explicada a diferença entre estes estados emocionais, percebem que vivem com ansiedade há anos. Felizmente procuraram apoio psicológico.

Cada vez mais se fala na ansiedade e, nos desafios que esta perturbação traz para a vida de quem tem de conviver com os sintomas associados a ela.

Hoje vamos explicar para que serve este mecanismo biológico e emocional.

O cérebro foi concebido para nos proteger e tem como único objetivo: a nossa sobrevivência. Quando ele interpreta uma situação como sendo ameaçadora/perigosa, ativam-se no nosso corpo, todos os mecanismos energéticos que o colocam pronto para lutar ou fugir, tal como acontece com os animais. A pessoa fica num estado permanente de ativação e alerta, vendo e sentindo o perigo iminente onde ele não existe e, isto torna-se insuportável e desgastante na vida da pessoa.

Imagine o sistema de alarme da sua casa a disparar só porque passou uma mosca, e não quando entram os reais ladrões! Ninguém iria aguentar aquele barulho da campainha a tocar o tempo todo, pois não? Então imagine isto, diariamente, sem hora marcada, de forma inesperada e, em situações que se podem tornar prejudiciais para a vida da pessoa a nível social, profissional e pessoal.

Fisicamente o que acontece? O coração começa a acelerar, uma forte dor no peito aparece, suores quentes e frios fazem-se sentir no corpo todo, formigueiros nas extremidades do corpo, tonturas e, por fim o pensamento surge: “vou ter um ataque cardíaco e vou morrer”. Isto torna-se um ciclo vicioso que não acaba e destrói a vida da pessoa se não for tratado. Isto gera na pessoa um estado de hipervigiância permanente; uma angústia inexplicável de morrer; um medo extremo de ter ataques de pânico ou crises de ansiedade em momentos importantes para a vida da pessoa; onde uma tontura pode ser interpretada como um sinal de desmaio prestes a acontecer; as dificuldades respiratórias remetem para a possibilidade de asfixia e, logo à possibilidade da morte.

Quando o nosso cérebro lê os sinais exteriores de forma errada e/ou catastrófica, o pânico instala-se e traz consigo a taquicardia, os suores, hiperventilamos quando o que realmente ajuda é fazer o oposto: retirar o ar que inalamos muito lentamente na nossa expiração, levando assim à diminuição do ritmo cardíaco parando a crise de ansiedade ou o ataque de pânico.

Existem, no entanto, diferenças entre ter um ataque de pânico ou uma crise de ansiedade. De uma forma simples, o ataque de pânico está inserido na vivencia diária das crises de ansiedade ou estados de ansiedade.

A ansiedade é assim um estado mais prolongado no tempo, durando várias semanas, enquanto o ataque de pânico leva à sensação de que vamos morrer, a sensação de que o corpo se vai desligar a qualquer momento tal é a intensidade do que se sente fisicamente e, isto acontece num prazo de 1 minuto, gerando um pico emocional na pessoa, podendo durar 15-30 minutos.

Ninguém quer viver neste estado diariamente e por isso acabam por pedir ajuda. Geralmente começam por recorrer ao psiquiatra, achando que a medicação irá eliminar definitivamente a ansiedade. O problema é que isto se torna uma espécie de penso rápido, que funciona no momento de crise, mas não trata a raiz do problema, não muda crenças, não trabalha traumas, não ensina formas diferentes de lidar com as emoções e a gerir estados emocionais. A Psiquiatria e a Psicologia devem e podem andar de mãos dadas. Hoje em dia, existem formas de tratar a ansiedade. É sim, importante aprender a gerir a sua ansiedade, sobretudo num estado mais inicial da terapia, no entanto o objetivo último de qualquer Psicólogo é trabalhar com a pessoa a origem do que levou à presença e à necessidade destes estados emocionais na pessoa e, eliminar este estado de Hipervigilância e alerta mas, não a ansiedade que nos protege. Todas as emoções são importantes, desde que na dose certa.

Costumo dizer aos meus clientes que a ansiedade tem um papel importante na nossa vida, geralmente ela quer ajudar e alertar-nos para algo que é disfuncional na nossa vida e, que por algum motivo, ainda não fomos capazes de mudar e alterar.

Nunca é tarde para mudar! Nunca é tarde para conduzir a sua vida e, não se deixar ser conduzido por esta sua “amiga”...a ansiedade.

Procure ajuda, cuide de si e partilhe este texto com o maior número de pessoas. Queremos mais pessoas felizes e em paz consigo próprias.

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Drª Margaret Almeida

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta

EMDR| Brainspotting | IFS |SE | Hipnoterapia

www.margaretalmeida.com

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